Cuneesi al Rhum

Hoje saí para conhecer uma cidade chamada Cuneo, distante 65 km de onde moro. Uma viagem agradável, quase todo o tempo entre penhascos e montanhas que exibem vilarejos antigos e belos, os Borgos, com suas habitações coloridas em território italiano e de pedras e cimento em território francês. Um encanto – beleza para os olhos e suavidade e paz para a alma-, eu me senti leve. Cuneo, uma cidade de pouco mais de 50 mil habitantes, grande e moderna para os padrões italianos, é também, muito bonita. Estacionamos o carro em uma das avenidas e fomos caminhar. As ruas são largas e os prédios, de no máximo 5 ou 6 andares tem aqueles prolongamentos que cobrem as calçadas e te protegem da chuva ou do sol, típicos de várias cidades por aqui. Pensamos em tomar um gelatto, então eu parei diante da vitrine de um Caffè e qual não foi a minha surpresa ao ver ali, uma grande fotografia enquadrada na madeira, de ninguém mais, ninguém menos do que ele, Ernest Hemingway!

Junto à foto uma notícia de jornal antigo, dando conta de sua parada ali, simplesmente para provar um doce muito famoso da região, o Cuneesi Al Rhum, que reúne duas paixões do autor: o chocolate e o rum. Claro que eu não resisti e entrei na loja, conversei com a atendente – pura gentileza -, falei do meu trabalho e recebi informações preciosas sobre a estada de Ernest ali em 1954. Ganhei até uma foto!

Foi emocionante. Sessenta e quatro anos depois eu me sentei à mesma mesa e na mesma cadeira que ele. Senti uma energia boa e pensei sobre o quanto esse mundo é pequeno e sobre essas coincidências da vida. Eu estudo muito sobre o escritor, tenho planos de visitar cidades por onde ele esteve aqui na Itália, mas Cuneo não era uma delas. Eu não fazia ideia de que ele havia andado por essa região. Pelo menos ainda não havia lido nada sobre isso e, portanto, foi uma agradável surpresa para quem saiu para passear sem pretensão, meio triste até, mas encontrou coisas tão belas pelo caminho.

Descobri mais tarde uma carta escrita por Ernest para a amiga e amante Adriana Ivancich (a nobre jovem italiana de 18 anos por quem ele se apaixonou e que lhe inspirou a personagem Renata no livro Do outro lado do rio entre as árvores) em 9 de maio de 1954 em Nice na França, falando sobre essa viagem e descrevendo o percurso, cujo relato me deixou com a impressão de que ele teve sentimentos parecidos com os meus: um passeio agradável por paisagens serenas e edificantes que proporciona paz e suavidade à alma dos sensíveis. Eis um trecho da carta:

“Querida Adriana:

Noite passada eu escrevi para você, mas assim que li, rasguei e joguei fora. Era uma carta escrita muito tarde, quase de madrugada. Algo fútil.

Ontem eu fiz uma viagem muito bonita de Torino até Cuneo apreciando o adorável verde dos vales e as neves das montanhas a uma distância razoável. Depois o desfiladeiro e as montanhas mais próximas, o túnel, outros desfiladeiros e então, Nice. Muito Agradável.

Começou a clarear perto das 4 da manhã. A primavera está chegando por aqui.”

Ernest e sua quarta mulher Mary estavam passando férias em Nice, na França e ele e seu amigo e editor A. E. Hotchner resolveram fazer uma pequena viagem pela vizinha Itália que o escritor tanto amava. No caminho Hotchner lhe falou sobre os famosos chocolates e ele quis passar em Cuneo para provar o doce e levar alguns para Mary.

Comprare una macchina…

Comprar um carro aqui na Itália é, tal como no Brasil, um processo simples. O primeiro passo é decidir entre o novo (zero) ou o usado. Se você é daqueles que gosta de carro completo, automático, com conforto e praticidade vai encontrar uma boa diferença de preço entre um e outro. Por exemplo: um carro novo básico (Fiat Panda), custa em torno de € 8,000 e com esse valor é possível comprar um Honda Jazz (Fit no Brasil) 2014 automático. Existem, claro, usados bem mais em conta, o mesmo carro ano 2008 custa em torno de € 5,000 e ano 2004 com cambio manual cai para € 2,000. Os preços variam de acordo com o estado do carro, a quilometragem, etc., da mesma forma que varia aí no Brasil. O que difere é a maneira como os vendedores negociam. Quando você expõe as suas dúvidas eles são honestos e lhe aconselham pensando no que é melhor para você no momento. Não são gananciosos, nem ficam insistindo para empurrar um produto. Gostei muito dessa parte.

A escolha é sua, naturalmente, mas é muito bom ouvir a opinião de quem está no ramo quando se está num país diferente e, assim, saber os prós e contras de cada opção. Estacionamento, por exemplo, na maioria das cidades aqui (mesmo as pequenas) é um problema a ser pensado na hora da escolha.

O ideal é não ter pressa e pesquisar bastante. Viaje, se for preciso, nem toda região dispõe de várias opções (carro automático pequeno e médio não é muito comum aqui), então é melhor procurar com calma aquilo que você quer e que cabe no seu orçamento.

O processo da compra é todo muito simples e sem burocracia. Na concessionária negocia-se o desconto, a forma de pagamento (pode ser transferência bancária), etc.

A transferência de titularidade do veículo também é bem rápida. O pessoal da loja leva você no escritório e basta apresentar os documentos pessoais e comprovante de residência. Em mais ou menos meia hora está feito. O seguro é obrigatório, mas não inclui o condutor (cobre os passageiros e, se for o caso, os ocupantes do outro veículo envolvido), então se você quer cobertura para o motorista é preciso manifestar esse desejo, é cobrado cerca de € 50 a mais para isso, valor irrelevante, na minha opinião, diante do total (entre € 900 e € 1,300 para o primeiro seguro no país e, claro depende do carro, modelo, ano de fabricação, etc.). Para baratear o custo do seguro se pode colocar um chip rastreador no veículo que custa em torno de € 20 e, com isso, se consegue um desconto bastante considerável no preço final.

Ah, a cada renovação (anual) o valor vai caindo e, se não tiver sinistro no período, também existe bônus como no Brasil.

Enfim, o processo é tranquilo e sem burocracia,  basta ter dinheiro, a documentação em dia, comprovar residência e… tutto a posto. 

Così facile…

Buona fortuna!

 

 

 

 

 

 

Mimosas e Mulheres

Hoje é o dia 8 de março, dia internacional da mulher. As redes sociais amanheceram salpicadas com os mais variados tipos de mensagens, a maioria decorada com flores, coloridas, em especial as rosas vermelhas.

Aqui na Itália, no entanto, me deparei com uma florzinha amarela, linda de tão simples, dourando a cidade por onde eu passava: nas vitrinas das lojas, nos mercados em formas de bouquet ou mudas em pequenos vasos.

Curiosa, dei rumo à minha caminhada matinal. Mercato Dei Fiori.

No caminho cruzei com um senhorzinho, cabelos brancos, bem cuidados por baixo de uma boina de lã, da cor do caramelo, em total harmonia com o casaco de couro no mesmo tom, os passos firmes e um leve sorriso no semblante feliz.

E nas mãos…
Ah, nas mãos, marcadas pelo tempo,  lá estavam elas. Um bouquet simples feito de papel de seda branco. O papel era fosco, mas deixava revelar o amarelado singelo das pequenas mimosas aveludadas que despontavam no topo do cone.

Não pude deixar de pensar na mulher que receberia aquelas flores. Como foi a sua vida? Como é, agora a sua vida? Jamais terei essa resposta. Mas gosto de pensar (e desejo do fundo de minha alma que eu esteja certa) que ela foi e continua sendo uma mulher livre e feliz; que o gesto de amor e carinho daquele senhor, tenha sido trivial na vida dos dois, pois ele me transmitiu a sensação de que, não, o amor não é eterno enquanto dura: o amor dura porque é eterno (me perdoe poeta).

Beh, no mercato, totalmente coberto pelas mimosas amarelas, descobri o motivo do seu domínio aqui na Itália no dia mulher.

Ouvi duas histórias.

Como muitos sabem o dia da mulher, 8 de março, foi decido em razão do incêndio que ocorreu no dia 8 de março de 1908 em uma indústria em Nova York quando 129 trabalhadores perderam suas vidas. Segundo essa primeira versão, uma árvore de mimosas teria crescido perto dessa fábrica queimada.

A outra versão é histórica, portanto mais provável. Em 1946, o U.D.I (Unione Donne Italiane) procurava uma flor para comemorar o primeiro dia da mulher depois da segunda guerra mundial e não havia muita escolha, pois durante o inverno não existem muitas espécies que florescem. A flora da mimosa, no entanto, acontece no início de março e coincide com a data, além de ser uma flor do campo, abundante e barata. Descobri ainda que foram as ativistas pelos direitos da mulher italiana, Rita Montagna, Teresa Noce e Teresa Mattei que escolheram essa flor símbolo. Teresa Mattei em uma entrevista explicou: A mimosa era a flor com a qual as partidárias presentearam as mulheres pobres, elas podiam ser colhidas em cachos e lembrava as lutas nas montanhas. Antes de morrer aos 92 anos ela ainda declarou: quando vejo, no dia da mulher, uma moça com um maço de mimosas penso que todo o nosso esforço não foi em vão.

Eu, independente do motivo, concordo com a escolha.

Uma planta que nasce e sobrevive em terrenos secos e difíceis, floresce no inverno, é simples, popular, forte e capaz, apesar de toda a sua (aparente) fragilidade, não tem mesmo tudo a ver com a mulher?

Para todas as mulheres desejo que, em todos os dias, vocês sejam  livres, independentes e felizes.

Auguri!!

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Voto Livre

Hoje é dia de eleição e fomos exercer nossa cidadania. Votamos em um Colégio bem próximo à nossa casa e me surpreendeu que, mesmo não sendo o voto obrigatório, uma grande parte dos italianos aqui foram às urnas. O colégio também é dividido em zonas eleitorais como no Brasil, mas em número bem menor, votamos na zona número 5 e tinha uma fila até razoável pelo horário que fomos, perto do meio dia. Os italianos têm o direito de voto a partir dos 18 anos para eleger deputados e a partir dos 25 anos para eleger senadores. Cada zona tem dois livros com os dados dos eleitores, uma lista masculina e outra feminina. Isso mesmo, tem uma lista para as mulheres e outra para os homens. Como o número de mulheres votando é bem maior do que o de homens, eles acabam votando antes, achei isso curioso, chegamos juntos, eu e meu marido, votamos na mesma seção, mas ele votou uns dez minutos antes do que eu. Não descobri ainda o motivo disso, mas vou pesquisar e depois conto para vocês. Ah, e os cachorros vão juntos para o colégio eleitoral também (aqui eles são aceitos em praticamente todos os lugares. É muito comum vê-los em restaurantes, bares, lojas, salões de beleza, farmácias e até em consultórios médicos. Por onde você anda tem um cachorrinho – ou cachorrão – por perto).

Beh, chegou a minha vez e eu fui votar, eles me identificaram, me deram as cédulas e eu entrei na cabine. Quando desdobrei a primeira levei um susto. Ela é enorme! Tem uns 40cm x 60cm. Fiquei pensando no porquê desse tamanho todo. Mas gostei, fácil de enxergar as letras.  Ah, outra coisa que estranhei: você vota com lápis, isso mesmo, aquele do grafite. Acostumada com a caneta preta para quase tudo no Brasil, achei bastante estranho, mas deve ter um motivo para isso. A votação em si, foi rápida: os mesários (são dois) te identificam, você se encaminha para perto da urna onde o presidente da seção lhe entrega as cédulas e você vai para a cabine (é uma espécie de provador de roupas aí do Brasil – aqueles que a porta é uma cortina) e vota. Depois dobra as cédulas e devolve para o presidente, ele coloca na urna, dita os números das suas cédulas para que a mesária anote no livro ao lado do seu nome o voto feito e devolve os seus documentos (Tessera Elletorare e Carta d’identità). Tudo muito parecido com o processo do Brasil quando as cédulas eram de papel (com exceção do tamanho). Foi uma experiência muito boa, me senti livre. O fato de o voto não ser obrigatório nos passa essa sensação. De liberdade. Você vota por vontade própria, pelo sentimento de cidadania mesmo, do exercício livre de um direito e de um dever cívico, não uma obrigação, uma imposição. Eu gostei.

Vale ressaltar que a campanha eleitoral aqui na Itália é basicamente pela televisão e redes sociais. Os candidatos viajam pelo país, mas não se vê carro de som, cavaletes com nomes de candidatos, santinhos pelas ruas e etc. Nem no espaço para publicidade aqui no prédio apareceu santinho ou qualquer outro tipo de propaganda política.  Não sei como foi nas grandes cidades, mas nas pequenas não se viu nenhum tipo de poluição visual com propagandas políticas. Nós aqui acompanhamos as propostas só pela televisão e mesmo hoje no dia da votação nada de papelada ou sujeira pelas ruas.

E disso eu também gostei.

Cedula elettorare

Voo Econômico (ame-o ou deixe-o)

Uma das coisas boas aqui da Europa é o voo barato. Você pode viajar para vários países  por uma tarifa bem em conta. Desde que você não precise levar muita coisa porque no valor que você paga está incluído, normalmente, apenas uma bagagem de mão com peso de até 8 quilos.

É possível, claro, levar bagagem maior no porão da aeronave, mas elas são cobradas à parte. Se você vai ficar muitos dias e precisa levar mala grande, agende junto com a passagem, pois o preço da mala é bem menor, uns 40% menos. Eu comprei uma junto com a passagem (que custou € 33) e paguei € 25 (20kg), porém ao arrumar as malas uma só não foi suficiente, precisei comprar outra e paguei € 40,00; isso só para um trecho. E tem mais  um porém, normalmente o aeroporto no destino é bem afastado e o gasto com metrô, táxis ou ônibus nem sempre compensa o preço baixo da passagem.

Então, é  bom planejar bem e fazer uma boa pesquisa antes, pois muitas vezes pagar malas e translado à parte fica mais caro do que comprar passagem de uma companhia que custa mais, porém oferece direito à bagagem de porão e você pode escolher o aeroporto.

Essa viagem que relatei por exemplo, foi de Nice na França para Londres, onde a companhia só pousa  no aeroporto Stansted que é longe de tudo e de todos. Já voei também de Treviso para Paris com passagem econômica (preço simbólico, pagamos apenas as taxas) e, embora o aeroporto tivesse ônibus com preço acessível para o centro da cidade, tivemos problemas na partida com o voo adiado para o dia seguinte com mudança de aeroporto e foi bem estressante. Depois de umas quatro horas de espera nos avisaram que o voo foi cancelado por falta de teto. Nos deram, no entanto, a alternativa de voar no dia seguinte partindo de Bergamo. Aceitamos, mas já passava da meia noite e não havia trem nem táxi para voltarmos para casa. O jeito foi ligar para um primo querido que dirigiu uns 20 quilômetros de madrugada para nos salvar.  Dormimos um pouco e antes do sol nascer partimos de trem para o novo aeroporto. A viagem durou umas três horas e, não fosse a vontade louca de conhecer Paris, eu teria desistido. Por fim, a viagem valeu a pena; a cidade luz faz a gente esquecer qualquer coisa. ❤ ❤

Mas, se o objetivo é conhecer a Europa, com disposição, bom humor e bagagem de mão (perdoem a rima) os voos econômicos são uma grande pedida e valem muito a pena.

Ah, por comodidade, na viagem para Londres comprei também embarque prioritário (€5) e lugar reservado (€4). Primeiro pensei que fosse bobagem, mas na hora de embarcar quando vi o tamanho da fila e depois, já acomodada e tranquila, a neura dentro da aeronave por lugar, tive certeza de que foi um bom investimento. 🙂

Allora… Buon Viaggio!

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Em tempos de festas…

“Em tempos de festas, visita-me, às vezes a tristeza; noves fora, fica a fortuna de viver”.

Escrevi esse pensamento há seis anos na véspera do Natal. É algo que acontece comigo por alguma razão, mas na época nem cogitava a ideia de passar um Natal tão longe da família. Fazer compras, enrolar presentes, planejar ceia, jantar, almoço e, especialmente montar a árvore junto com a neta amada sempre foi uma alegria para mim e eu nunca pensei realmente que um dia estaria longe disso tudo e, confesso, fiquei um pouco depressiva.

Mas, em contrapartida, foi o primeiro natal depois de muitos anos que passei junto com o meu filho ‘estrangeiro’ e foi tudo maravilhoso. Não sei nada (ainda) sobre o Natal na Itália; mas vi que os italianos enfeitam muito suas casas com enfeites de todos os tipos e com muitas luzes.  As lojas ficam lindas e não há como não se contagiar com o clima natalino, todas expõem suas mercadorias de maneira muito criativa e em sintonia com a data. As cidades também são bem enfeitadas. Aqui os enfeites são colocados nas ruas tanto em cima (iluminados) em forma de arcos, renas, flocos de neve, árvores de natal, etc., como embaixo nos postes, na altura dos olhos em forma de arranjos muito bem confeccionados e muito bonitos. Fiquei imaginando quantas horas isso duraria em uma rua no Brasil, mas aqui ninguém mexe e eles permaneceram até o dia de reis, 06 de janeiro, que aqui se chama dia da epifania (dia da revelação aos reis magos, de Jesus como filho de Deus), quando a prefeitura os retirou. Panetones, torrones, chocolates, além dos Panfortes (tortas feitas com amêndoas) e Pandoros (tipo de bolo na forma de panetone, mas sem as frutas cristalizadas) de todos os tipos e tamanhos se espalham pela cidade, tantos e tão diversos como os enfeites. Ah, o Papai Noel aqui se chama Babo Natale e o Natal é tempo de muita festa com a família. Isso tudo eu vi aqui na Itália no mês de dezembro.

O Natal mesmo passei na Inglaterra junto com o meu filho e, portanto, aprendi mais sobre a tradição inglesa. Os ingleses não fazem, por exemplo, ceia à meia noite do dia 24 e sim no dia 25. Na véspera, no entanto, os mais tradicionais vão à missa da meia noite ou saem pelas ruas cantando músicas natalinas. As crianças (e muitos adultos) penduram as meias na lareira e, normalmente, deixam algumas guloseimas para o Papai Noel e para as renas. No dia 25 há a abertura dos presentes e a ceia de Natal, mais para o fim do dia, momento em que as famílias se reúnem para celebrar a data.

Nós fomos recebidos pela família da minha nora, pessoas muito queridas que vivem em uma graciosa cidadezinha do interior, não muito distante de Londres. É, na verdade, uma Vila quase milenar onde ainda se encontra construções de pedras, ruas estreitas e uma calma que não tem mais fim. Chama-se Turvey, tem pouco mais de mil habitantes e uma igreja de arquitetura inglesa que ostenta uma imponente porta do século XIII com o seu trabalhado original em ferro, uma fonte batismal romanesca, uma parede com pintura da crucificação e alguns monumentos notáveis. Tão bela (a vila toda) que parece cenário de filme.

Eles nos alegraram com uma ceia típica e saborosa preparada com muito esmero pela nossa anfitriã onde não faltou o famoso Gravy (um molho muito saboroso feito a partir da redução de caldo de carne), as tradicionais batatas assadas e o Christmas Pudding (sobremesa com frutas secas e conhaque) sempre presente na mesa dos ingleses nessa época. Teve também o Christmas Crackers, uma espécie de bombom gigante com presentinhos e uma coroa de papel dentro. Eles ficam na mesa junto à ceia e existe uma tradição em que as pessoas cruzam os braços, como se fossem abraçar a si mesmas, segurando em uma ponta do cracker enquanto a pessoa que está ao seu lado segura a outra ponta, formando uma corrente. Todos devem puxar as pontas juntos para ver de que lado fica o presentinho. No geral, as lembranças são miudezas úteis, como abridores de garrafa, chaveiros, etc., mas o mais importante é não esquecer de colocar a coroa de papel na cabeça, pois ela é um símbolo do natal inglês.

Foi um dia inesquecível, um dia de festa, de alegria e de muito aprendizado.

Ah, a igreja de Turvey eu já havia retratado em óleo sobre Tela há algum tempo, tendo como modelo uma foto e vocês podem imaginar a minha emoção cada vez que a vejo pessoalmente.

Gratidão é o que me define em momentos tão especiais.

Special thanks to the Barrett Family for your welcome. You are awesome!!

Natal Inglês

Parrucchiere (Salão de Beleza)

Feliz.

Está chegando o dia de rever o meu filho e minha nora.  Preciso de um salão de beleza 🙂

Sempre me assustaram com essa coisa de salão aqui pela Europa (brasileiras que vivem ou já passaram por aqui); Serviços caríssimos e não tão bons, profissionais antipáticas, rudes, etc. Então, sempre que vinha para cá fazia tudo no Brasil, na véspera da viagem para poder ficar o maior tempo possível sem me preocupar com isso. E, de fato, nunca entrei em um salão na Itália.

Mas agora não tenho como fugir.

Parrucchiere é um dos negócios que mais tem aqui na cidade. Nas minhas caminhadas andei vendo algumas placas (normalmente na porta do salão tem uma placa com os serviços oferecidos e os respectivos preços) e não achei nada tão fora do comum assim. Em um deles, convertendo para o real, o serviço que quero fica R$ 2,00 mais barato do que estou acostumada a pagar no Brasil: € 13,00 aqui, no Brasil pago R$ 54,00 (considerei o cambio de R$ 4,00 para € 1,00). Considerando que aqui se ganha em euro, o serviço para as italianas é bem mais barato (54 dinheiros lá no Brasil; 13 dinheiros aqui na Itália). Os outros serviços de depilação parece mais caro se feito individual, mas se pode fazer um pacote (como no Brasil), o preço cai e a diferença não fica tão grande.

Aqui ao lado do prédio tem um salão. Está aberto, tem gente lá dentro, cheguei na porta e tentei abri-la, mas não consegui, as mulheres me olharam e continuaram o que estavam fazendo, tentei abrir a porta de novo, não deu e ninguém veio me atender. Então fui procurar outro.

O salão que eu tinha visto (aquele dos € 13,00) está fechado hoje (tem uma placa de aviso (Chiuso lunedi e giovedi), então fui procurar outro. Achei um logo depois. Entrei e perguntei se faziam o serviço (depilação de buço e sobrancelha). A moça respondeu que sim e quando perguntei o preço, me assustei: € 5,00. Pensei que você cada um e resolvi fazer. A sobrancelha ela só tirou os excessos (me perguntou antes e eu confirmei porque não quis arriscar ficar com aquela linha finíssima e ridícula que vejo, às vezes, em algumas mulheres). Mas o serviço ficou bem feito. Não teve aquele ritual todo que a minha depiladora faz no Brasil, sem pressa, um hidrante fresquinho no final. Não. É vapt vupt. Mas ficou bem bom. Ah, e o preço é € 5,00 tudo (menos da metade do que pago no Brasil). Economizei € 8,00, mas da próxima vez vou lá no outro salão para descobrir se o trabalho delas justifica tamanha diferença.

O importante é que saí satisfeita. Porém com a impressão de que, brasileiras que moram aqui (não todas), ou são muito pão duras, ou gostam mesmo de fazer ‘terrorismo’ para assustar as novatas 😉

Bom, ainda é cedo para ter certeza. Tenho muito para descobrir. Fazer unhas, cortar e pintar o cabelo, fazer massagens, etc.

Te lo dirò dopo 🙂

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